Concurso de Grafite Orô
- 31 de mar.
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O Concurso de Grafite ORÔ — Retratos da Palavra chegou com uma proposta potente: transformar arte urbana em homenagem, memória e presença. A ideia inicial era revitalizar a fachada da Biblioteca Machado de Assis, no Centro Cultural de Taguatinga, a partir de dois nomes fundamentais da literatura brasileira — Maria Firmina dos Reis e Machado de Assis.
Mas, como todo bom movimento vivo, o ORÔ também se reinventa no caminho.
E foi assim que as obras finais ganharam forma na Ocupação Cultural R.I.A., espaço que acolheu não só os grafites, mas toda a energia do encontro entre arte, território e criação.
O processo começou com a convocatória aberta a artistas do Distrito Federal que já atuavam com grafite e arte urbana, especialmente com retratos e figura humana. A proposta pedia a criação de dois bustos — um de Maria Firmina dos Reis e outro de Machado de Assis — mas sem limitar a estética. Muito pelo contrário: o edital incentivava estilo próprio, experimentação, símbolos e liberdade criativa.
E isso apareceu com força nas propostas.
Cada artista trouxe sua leitura, sua linguagem e sua forma de construir imagem e narrativa. Mais do que representar figuras históricas, o desafio era atualizar essas presenças — trazer esses nomes para o agora, para o muro, para a cidade.
Ao final do processo, dois artistas foram selecionados, cada um com uma abordagem única e marcante:
Guga Baygon Makina de Rabisco
Com o apoio da produção do ORÔ — que garantiu materiais e estrutura — os artistas partiram para a execução. E foi na Ocupação Cultural R.I.A. que os murais aconteceram de fato: tinta, spray, gesto e tempo trabalhando juntos.
Acompanhando de perto, dava pra sentir que não era só pintura. Era construção de imagem com história dentro. Cada camada revelava escolhas, referências e intenções. Os rostos surgiam aos poucos, misturados a cores, traços e elementos que expandiam o significado das obras.
O resultado final foi mais do que dois grafites. Foi uma afirmação da arte urbana como linguagem que conecta passado e presente, literatura e rua, memória e invenção.
Além da premiação de R$ 1.000 para cada artista, ficou também o reconhecimento de um trabalho que ocupa, transforma e dialoga com quem passa.
O Concurso de Grafite do ORÔ mostrou, mais uma vez, que a palavra não vive só no papel. Às vezes, ela ganha parede, cor e escala — e segue falando alto, no meio da cidade.






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