Concurso Literário Orô - Escritas sem Nota

Se tem uma palavra que define o Concurso Orô — Escritas Sem Nota, é movimento. Movimento de ideias, de vozes, de histórias que encontraram espaço para existir, circular e tocar outras pessoas.
Ao todo, foram 152 textos inscritos — cada um trazendo um jeito próprio de ver, sentir e escrever o mundo. Jovens de diferentes cantos do Distrito Federal enviaram suas criações, ocupando o concurso com muita potência, criatividade e verdade.
A proposta era simples e ao mesmo tempo gigante: abrir espaço para novas vozes da literatura preta, sem engessar formatos. Teve gente escrevendo ensaio sobre o que é literatura negra, mas também teve conto, crônica, poesia, memória, texto híbrido… tudo cabia. Porque a ideia nunca foi limitar — foi expandir.
E isso apareceu com força nos textos. Vieram escritas atravessadas por território, identidade, afeto, ancestralidade, revolta, sonho e futuro. Escritas que não pedem licença — chegam, dizem e ficam.
No fim desse processo bonito (e nada fácil pra banca), três textos foram premiados, sem ranking, sem disputa de quem é “melhor” — apenas reconhecendo potências diferentes que se destacaram:
“Escrita é Feitiço”, de Marcus Vinícius Castro de Souza
“Herança que não coube no papel”, de Kédma Thaís de Jesus dos Santos
“Raio de Sol”, de Emely Maria Gonçalves da Silva
Cada um deles recebeu o prêmio de R$ 1.000, mas, mais do que isso, o reconhecimento de uma escrita que atravessa.
Além dos premiados, outros 27 textos foram selecionados para publicação, formando uma coletânea que promete reunir essa diversidade de vozes e perspectivas que marcaram o concurso.
E talvez esse seja um dos pontos mais bonitos do Orô: não é só sobre ganhar. É sobre circular. Sobre ser lido, ouvido, compartilhado.
O concurso fez parte de um movimento maior de valorização da literatura preta como espaço de criação, reflexão e existência. Um lugar onde escrever não precisa seguir “nota”, padrão ou fórmula — precisa só ser verdadeiro.
E no fim, foi isso que ficou: um conjunto de textos que mostram que a literatura preta está viva, pulsando e sendo construída agora, por quem escreve a partir de si, do seu território e das suas histórias.
O Orô segue — nas páginas, nas vozes e em tudo que ainda vai nascer depois desse encontro.








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