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Concurso Literário Orô - Escritas sem Nota

31 de mar.
2 min de leitura

Se tem uma palavra que define o Concurso Orô — Escritas Sem Nota, é movimento. Movimento de ideias, de vozes, de histórias que encontraram espaço para existir, circular e tocar outras pessoas.

Ao todo, foram 152 textos inscritos — cada um trazendo um jeito próprio de ver, sentir e escrever o mundo. Jovens de diferentes cantos do Distrito Federal enviaram suas criações, ocupando o concurso com muita potência, criatividade e verdade.

A proposta era simples e ao mesmo tempo gigante: abrir espaço para novas vozes da literatura preta, sem engessar formatos. Teve gente escrevendo ensaio sobre o que é literatura negra, mas também teve conto, crônica, poesia, memória, texto híbrido… tudo cabia. Porque a ideia nunca foi limitar — foi expandir.

E isso apareceu com força nos textos. Vieram escritas atravessadas por território, identidade, afeto, ancestralidade, revolta, sonho e futuro. Escritas que não pedem licença — chegam, dizem e ficam.

No fim desse processo bonito (e nada fácil pra banca), três textos foram premiados, sem ranking, sem disputa de quem é “melhor” — apenas reconhecendo potências diferentes que se destacaram:

  • “Escrita é Feitiço”, de Marcus Vinícius Castro de Souza

  • “Herança que não coube no papel”, de Kédma Thaís de Jesus dos Santos

  • “Raio de Sol”, de Emely Maria Gonçalves da Silva

Cada um deles recebeu o prêmio de R$ 1.000, mas, mais do que isso, o reconhecimento de uma escrita que atravessa.

Além dos premiados, outros 27 textos foram selecionados para publicação, formando uma coletânea que promete reunir essa diversidade de vozes e perspectivas que marcaram o concurso.

E talvez esse seja um dos pontos mais bonitos do Orô: não é só sobre ganhar. É sobre circular. Sobre ser lido, ouvido, compartilhado.

O concurso fez parte de um movimento maior de valorização da literatura preta como espaço de criação, reflexão e existência. Um lugar onde escrever não precisa seguir “nota”, padrão ou fórmula — precisa só ser verdadeiro.

E no fim, foi isso que ficou: um conjunto de textos que mostram que a literatura preta está viva, pulsando e sendo construída agora, por quem escreve a partir de si, do seu território e das suas histórias.

O Orô segue — nas páginas, nas vozes e em tudo que ainda vai nascer depois desse encontro.



 
 
 

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