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Oficinas Orô - Escritas Sem Nota

  • 31 de mar.
  • 2 min de leitura

O ORÔ — Palavra Preta em Movimento foi mais do que um ciclo de oficinas: foi um espaço vivo de encontro, escuta e troca. Ao longo dos dias 4 a 13 de março, a palavra preta circulou em diferentes formas — no papel, na voz, no corpo e no ritmo — mostrando que a literatura é muito maior do que o livro tradicional.

A proposta reuniu caminhos diversos da produção literária negra, conectando escrita, oralidade, leitura crítica e práticas manuais. Mas, acima de tudo, o que se construiu foi um ambiente de partilha, onde cada pessoa pôde experimentar, criar e se reconhecer nas próprias narrativas.

A oficina “Urgência da Palavra”, com Kamvula Dudu, abriu os trabalhos mergulhando na força da escrita curta. Microcontos, microcrônicas e poesias surgiram como formas intensas de dizer muito com poucas palavras. Entre conversas e exercícios, nasceram textos cheios de identidade, território e presença.

Já em “Costurando Poesia”, com Nanda Fer Pimenta, a palavra ganhou corpo físico. Os participantes colocaram a mão na massa para criar seus próprios livros artesanais, entendendo que publicar também pode ser um gesto independente, político e afetivo. No fim, cada livreto carregava não só poemas, mas também autonomia.

Com Mariângela Andrade, na oficina “Escrevivências e Oralituras”, o corpo virou texto. A escrita partiu da memória, da vivência e da oralidade, mostrando que contar histórias também é sentir, falar e existir. Foi um momento de conexão profunda entre palavra, voz e experiência.

Na sequência, “O Microfone Também Escreve”, com Nego Dé, trouxe o rap para o centro da conversa. Através da escuta e da criação, ficou evidente que a rua também escreve — e muito. O rap apareceu como literatura pulsante, crítica e cheia de memória.

Encerrando o ciclo, “Racializar a Leitura”, com Jucelino Sales, convidou todo mundo a repensar a forma como lê o mundo e os textos. A discussão sobre literatura preta brasileira ampliou olhares, questionou apagamentos e fortaleceu uma leitura mais consciente e conectada com identidade e território.

Na oficina “Palavra em Combate: Oficina de Slam”, Njow conduziu estudantes por uma imersão na poesia falada como espaço de criação, expressão e afirmação. Entre escrita, respiração e performance, a palavra ganhou corpo — mostrando que no slam cada verso também é posicionamento.

No fim das contas, o ORÔ foi isso: um movimento. Um espaço onde escrever, ler, ouvir e criar se misturaram, abrindo caminhos e fortalecendo redes. Um lembrete de que a palavra preta está viva — e segue em movimento, construindo presente e futuro.



 
 
 

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