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Projeto OrÔ coloca a literatura negra no centro do debate cultural

  • 31 de mar.
  • 2 min de leitura

Ao longo do mês de março, o Projeto OrÔ promoveu uma série de atividades culturais no Distrito Federal com foco na valorização da literatura negra e periférica. A programação foi realizada em diferentes regiões — incluindo Sobradinho, Planaltina, Taguatinga e Plano Piloto — e reuniu escritores, estudantes, professores, artistas e público em geral em torno de ações formativas e apresentações abertas.

A iniciativa contou com oficinas, mesas de diálogo, batalhas de rima, feira literária, apresentações teatrais e concursos, estruturando um circuito que articulou formação, circulação de obras e debate público sobre produção literária afrocentrada.

As atividades tiveram início com o ciclo de oficinas “OrÔ – Escrita sem Nota”, voltado principalmente para estudantes do ensino médio da rede pública. Realizadas em escolas de Planaltina e Sobradinho, as oficinas abordaram temas como criação poética, escrita de rap, mercado editorial e produção independente. Participaram como facilitadores nomes como Nego Dé, Mariângela Andrade, Nanda Fer Pimenta, Jucelino Sales e N Jow.

Como desdobramento das ações formativas, o projeto lançou o Concurso Literário OrÔ — Escritas Sem Nota, que mobilizou jovens autores do Distrito Federal nas categorias de redação, conto, crônica e poesia. A iniciativa premiou três textos com o valor de R$ 1.000 cada e selecionou obras para compor uma coletânea, ampliando a circulação das produções participantes. A cerimônia de premiação foi realizada no dia 28 de março, no Complexo Cultural de Planaltina, integrando a programação aberta ao público.

Paralelamente, o projeto promoveu o Concurso de Grafite OrÔ — Retratos da Palavra, com o objetivo de fomentar a arte urbana e o diálogo com a literatura brasileira. Dois artistas foram selecionados e premiados pela criação de obras inspiradas em Machado de Assis e Maria Firmina dos Reis, reafirmando o grafite como linguagem de memória e intervenção no espaço urbano.

Nos dias 20 e 21 de março, a programação se concentrou em atividades abertas ao público. No SESC Silvio Barbato, o primeiro dia reuniu feira literária com artistas independentes, apresentação teatral, slam de poesia falada, batalha de rimas e a premiação do concurso de grafite. Já no dia seguinte, pela manhã, a Biblioteca Machado de Assis recebeu oficinas de poesia falada e encadernação artesanal, enquanto, no período da tarde e noite, o SESC sediou mesas de diálogo, lançamento de livro, novas apresentações de slam e continuidade da feira literária.

Entre os convidados das mesas estiveram nomes como Vagner Amaro, Cristiane Sobral, Juliana Valentim e Cidinha da Silva, que também realizou o lançamento de sua obra durante o evento. Os debates abordaram temas como oralidade, trajetórias de escritores negros e reflexões sobre o conceito de literatura preta.

Com apoio institucional e recursos públicos voltados à cultura, o Projeto OrÔ consolidou uma programação ampla e descentralizada, promovendo o acesso a atividades gratuitas e fortalecendo redes entre agentes culturais do Distrito Federal. Ao longo das ações, a literatura foi tratada não apenas como produção artística, mas como ferramenta de expressão, identidade e construção coletiva.



 
 
 

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